Escrito por: ficacomigoessanoite (Mayah Afonseca)
2:37 AM. Já era a terceira vez que olhava para o pequeno relógio digital em cima da mesinha de cabeceira. Naquela noite fria de setembro as horas pareciam não passar. Já havia tentado todas as posições possíveis e ainda assim não conseguia pegar no sono, a cama de casal parecia grande demais para seu corpo pequeno e encolhido. Sua mão fria tateava pela cama a procura de algo que a acalmasse, que calassem seus pensamentos confusos e acalentassem o coração machucado. Sentia falta do abraço e da voz calma, muitas vezes um tanto rouca por causa do sono, dizendo que tudo ficaria bem. Acabou por abraçar o travesseiro. Como seria possível que o único que a conseguia acalmar fosse também o causador de tanta… Seria falta? Não, não era falta mas também não sabia dizer o que era, uma espécie de vazio que parecia rasgar-lhe por dentro. Sem conseguir conter a pequena lágrima que se formava no canto dos olhos, imaginou-o ali. “Acalma esse coração, pequena. Tudo vai se resolver.”, ele diria. Cada pensamento que transitava sua mente aumentava mais sua confusão. Como poderia querer ali a pessoa que horas antes havia mandado embora? Não queria mais pensar. Virou-se de lado e tentou novamente pegar no sono.
Patética. Não conseguia pensar em outra expressão para definir aquele término de relacionamento. Covarde também poderia servir. Ela que sempre fora tão forte, determinada e segura de si agora encontrava-se ali sozinha e perdida dentro de si mesma. 2:43 AM. Como seria possível uma hora demorar tanto para passar? Irritava-se com o relógio apenas para tentar mudar o rumo dos pensamentos que teimavam em vagar para algumas horas antes. Passava Breakfast At Tiffany’s na televisão, seu filme preferido. Ele estava sentado no tapete da sala com as costas apoiadas no sofá e um braço em torno dela que apoiava a cabeça em seu ombro. Foi exatamente naquela cena um pouco antes do fim do filme quando Paul diz a Holly que seu problema era ser medrosa, que ela não tinha coragem de encarar a realidade de que na vida as pessoas se apaixonam e se pertencem, que o problema dela era usar como desculpa o fato de “ser um espírito livre” para viver dentro da jaula que criou em volta de si própria visando impedir qualquer um de se aproximar. Ela sempre se vira naquela cena, talvez por isso gostasse tanto de tal filme. Desde pequena a ensinaram que o amor machuca, que as pessoas quebram nossos corações se o deixarmos em suas mãos, que não se apaixonar e não se entregar significava não sofrer. Todos errados. Completamente errados. Se não se entregar de corpo e alma para alguém realmente poupasse qualquer tipo de sofrimento, ela não estaria ali naquela cama sozinha agarrando um travesseiro, sua única companhia na noite que parecia mais fria a cada segundo.
2:54 AM, seus pensamentos continuavam a rever a cena da tarde anterior. Agora ela sentia-se exatamente como Holly quando Paul deixou-a sozinha dentro daquele táxi, não que ele estivesse errado em fazer isso. Antes de sua heroína criar coragem e sair correndo na chuva atrás de seu amor, ele virou-se para ela e disparou de uma única vez: Eu te amo, pequena. Casa comigo?. Desvencilhou-se rápido dos braços agora pesados demais em volta de seu corpo e virou-se abruptamente para ele enquanto dizia pra si mesma que apenas ouvira algo errado. ‘Eu te amo’. Ele cismou em repetir. Olhava pra ela com olhos doces como se pudesse envolver o mundo com as duas mãos só para fazê-la feliz, tirou uma caixinha preta de veludo do bolso da calça jeans surrada e estendeu-a para ela. Deveriam ter se passado alguns minutos depois disso, pois quando deu por si ela já havia se afastado e estava em pé de costas para ele. ‘Pequena? O que foi? Tudo bem?’ Silêncio.
Como um mundo consegue cair aos pedaços com apenas 4 palavras? Casamento? Eu te amo? Como assim, que loucura toda era essa? Na visão dela as coisas iam muito bem, eles se davam bem, eram felizes até. Saiam juntos, viam filmes em casa, ela cozinhava pra ele e ele lhe levava flores e vinho, ele passava os fins de semana na casa dela e ela almoçava com ele nas terças e quartas. Pra que essa história toda de casamento então? 1 ano e 4 meses. Esse era o tempo em que eles estavam juntos. E juntos não quer dizer namorando, afinal de contas ela demorou um bom tempo para se acostumar com essa palavra. Detestava compromissos, rótulos, pressões… Ele sabia disso. E agora vinha com essa de casamento? Ela estava parada completamente imóvel no meio da sala, parecia estar em choque mas sua cabeça estava atônita com tantos pensamentos misturados. ‘Hey, meu bem? O que aconteceu?’ Dessa vez ao falar ele tocou-lhe o ombro, o que a fez ficar mais rígida. Tentou acalmar-se e respirar fundo, as mãos mais geladas do que de costume e o corpo que não parecia querer se mexer. Ela queria se esconder, ficar sozinha por um instante, queria que aquela cena nunca houvesse existido. Eles não poderiam apenas ter assistido o filme e fim? Mas não, agora essa de casamento.
3:18 da manhã, ela continuava a se revirar pela cama. A vontade de tacar o relógio na parede aumentava a cada segundo, afinal ela precisava descontar esse tsunami de sentimentos confusos em algum lugar. Raiva, medo, dor, falta, carência, vazio… Amor. Amor? Deu um pulo da cama ao pensar nessa palavra. Será que era isso? Será que todos os muros, barreiras e tentativas para não se apaixonar por ninguém haviam falhado? Meu Deu, como fora burra o suficiente para não perceber isso ante? Ela já tinha se apegado e já estava apaixonada, apaixonou-se desde o primeiro sorriso que ele lhe deu, há exatamente 2 anos atrás. Um arrepio percorreu-lhe a espinha ao pensar que isso não era mais uma dúvida, era apenas um fato que ela não havia percebido.
Eu acabei de te pedir em casamento, você ouviu? Não vai dizer nada? É, eu disse que quero passar todo o resto da minha vida ao teu lado, comprar uma casa, ter filhos, comprar um cão, fazer almoço de domingos. Sim, é isso que as pessoas fazem. E eu quero fazer isso com você. Como assim você acha isso uma idéia estúpida? Eu seguro sua mão, eu prometo jamais deixar você cair. Que? É claro que é verdade. Não! Isso não é só uma promessa vazia. Eu te amo, será tão difícil compreender? É como se você não sentisse nada por mim.. O que? Como assim ‘é exatamente isso’? Você não, não me..? Tudo estava meio nublado em sua mente, não lembrava ao certo da discussão. Eles estavam em pé no meio da sala e gritavam um com o outro, ele tentando convence-la de seu amor e ela tentando esquivar-se de qualquer tipo de apego maior. É, eu não te amo, ok? Eu não sou do tipo de pessoa que se apaixona. O nosso relacionamento é legal, nós nos damos bem. Mas casar? Não, casar não é pra mim. Você vai se mudar para outro país e ainda quer me pedir em casamento? Isso é loucura, será que você não vê? Não posso me prender a ninguém. Não quero me prender a ninguém. Como assim casamento não é uma prisão? Claro que é. Viver apenas para uma pessoa, entregar seu coração de bandeja e deixar que lhe façam qualquer coisa. Não, isso não é pra mim. Pára de dizer que me ama, nada dura pra sempre. O que? É isso que você quer ouvir? Então tá, é eu não te amo, ok? Eu não sou do tipo de pessoa que se apaixona, nem por você nem por ninguém. Não sabia ao certo se tudo aquilo era verdade, mas precisava dizer algo, precisava que ele saísse logo de sua casa e de sua vida antes que tudo se complicasse ainda mais. Aquela frase encerrou a briga, ele a olhava incredulámente. Ficaram parados ali, se encarando, cada um suportando as próprias feridas recém abertas. Com uma risada irônica ele jogou a pequena caixinha de veludo no chão e virou-se em direção à porta. 'Não me procure nunca mais.’ Essas foram suas últimas palavras antes de bater a pesada porta de madeira e retirar-se para sempre de sua vida. Aquela era para ter sido uma tarde tranqüila. Ver um filme na TV, dizer que foi bom enquanto durou e então ela seguiria sua vida normalmente e ele pegaria o avião rumo a Roma, pra onde fora transferido a trabalho. Mas agora deitada naquela cama desarrumada só conseguia lembrar-se da porta se abrindo e de vê-lo partindo com os olhos marejados e os ombros caídos.
4:15 AM. Ela o amava. E isso era a única certeza que possuía no momento. Queria passar todos os dias de sua vida ao lado dele, porque sem ele as noites eram frias demais, o coração ficava deserto. O sorriso dele iluminava seu dia e nesses momentos nublados apenas ele conseguia acalentá-la. Ela o amava. Ela o amava. Riu ao constatar isso. O coração dela já estava com ele fazia tempo, ela só nunca tivera se dado conta. Mas agora já era tarde, ele se fora. Queria culpá-lo por ter ido embora, mas fora ela que o expulsara. Ele não era responsável pelo fato dela estar ali jogada em cima dos lençóis já úmidos por causa de suas lágrimas. A culpada era ela. Lembrou-se de uma frase de seu livro preferido “Quantas coisas perdemos por medo de perder” * Ela partira dois corações que se amavam por medo de se entregar e acabou machucando-se por medo de se machucar. Meu Deus, como são complicadas essas coisas. Queria poder fazer uma cena de filme, correr até o aeroporto e impedir o avião de decolar, declarar seu amor para quem quisesse ouvir e ser feliz para sempre. Mas esse era o tipo de coisa que só aconteciam em livros e telas de cinema, essa era a vida real. 5:45 AM. Os primeiros raios de sol passavam entre as persianas deixando o quarto mais claro. Não iria adiantar nada continuar ali se sentindo miserável, nada mudaria por conta disso. O mundo continuaria a girar e quem sabe um dia eles não se encontrariam novamente? Sorriu por um momento e, deixango a imaginação vagar, o imaginou sorrindo também ao entrar em casa de terno enquanto uma menininha correria sorridente em sua direção junto a um cachorro enorme, ele a pegaria no colo e a giraria no ar, depois caminharia lentamente com aquele olhar apaixonado e encantador, estampando na face seu sorriso capaz de iluminar qualquer ambiente, chegaria próximo a uma poltrona e cumprimentaria com um demorado beijo sua esposa que… Não era ela. Como assim sua esposa não era ela? Essa era a sua fantasia!! Irritou-se consigo mesma e tentando esvaziar a mente levantou-se e foi caminhando até a cozinha onde prepararia uma forte xícara de café. Antes de chegar ao seu destino algo capturou sua atenção. Uma caixinha de veludo preto jogada próxima a mesinha de cetro da sala. Ficou parada apenas a observando antes de se aproximar e tomar coragem para abri-la. Para sua surpresa não existia um anel ali, apenas um pequeno pedaço de papel: Is there a better bet than love? What you are is what you breathe You gotta cry before you sing Chances won’t escape from me Chances are only what we make them And all I need Eu te amo minha pequena, nunca se esqueça disso. Reconheceu a música** antes de terminar de ler o bilhete. Essa era uma daquelas canções sobre correr riscos e viver plenamente que ele sempre cantava pra ela. Ele sempre falava que ela deveria deixar de ser medrosa e orgulhosa, que deveria mergulhar de cabeça sem se importar com o tamanho da queda, pois os machucados e decepções iriam ser pequenos se comparados ao mar de vida que ela teria. Riscos. Correr riscos. Era isso. Ele estava certo como sempre. Ela já havia feito tudo errado de qualquer forma, já o tinha expulsado de sua vida mas não de seu coração, então o máximo que aconteceria seria a confirmação que ela realmente tinha arruinado tudo. Mas que mal teria em tentar? Afinal ele poderia voltar, quem sabe. Vai que o tal ‘felizes para sempre’ realmente exista? Nunca se sabe. Ela só não podia deixar tudo se perder, ao menos ela teria aquele “eu tentei” sempre com ela. Sem pensar mais pegou o telefone e discou o número já tão conhecido.
Um toque. Dois toques. Estou ocupado ou apenas não quero atender a ligação, deixe o seu recado após o bip. Maldita caixa-postal. Talvez fosse melhor assim, ela não saberia o que falar se ouvisse a voz dele. Também não sabia o que falar agora, mas tinha de dizer algo. Respirou profundamente e então começou a falar:
– Oi, sou eu. – Silêncio – É, então… – Outra pausa, deu um suspiro, as mãos suadas – Eu te amo. Eu simplesmente te amo. Não sei como fui estúpida o suficiente pra nunca me dar conta disso, talvez até já tivesse me dado mas não queria aceitar. Só os fracos se apaixonam, só os tolos se entregam, eu pensei assim minha vida toda e aí você chegou e jogou tudo pela janela, você destruiu tudo o que eu sempre julguei como certo, você me deixou sem chão e eu não sabia o que fazer. Eu fiquei com medo. Mas a verdade é que não são os fracos que se apaixonam, nem os tolos. É preciso ser muito forte pra se apaixonar e pra se entregar sem reservas a alguém, correr o risco de ver seu mundo desmoronar e mesmo assim continuar ali firme, rezando para que seu mundo desmorone sim mas só para ser reconstruído junto com o de outra pessoa. É preciso ter força para confiar e entregar seu coração, é preciso ser muito forte pra isso. Os fracos fogem do amor, fogem por ter medo e passam a vida toda construindo grades em volta de si. Os fracos, os tolos, os covardes. E eu era um desses. Eu sempre pensei que fugir da dor fosse a forma certa de se viver, que isso fosse a felicidade. Mas eu estava errada. Felicidade é fazer algo que valha cada milímetro de dor que se possa vir a sentir. Felicidade é dar e receber. É se entregar, se apaixonar. Felicidade é ter a família reunida em volta da mesa em um almoço de domingo, ter um cachorro babão e bagunceiro fazendo festa em você toda hora, é ter aquele anel no meu dedo e dizer pra quem quiser ouvir que sou sua esposa. Felicidade é estar junto nos momentos bons e mais ainda nos difíceis, é ter com quem se dividir o peso do mundo. Felicidade é ter companheirismo e amor, é caminhar junto nos dias de sol e nas noites de tempestade, é ter sempre alguém a quem dar a mão. Eu te amo. Eu simplesmente te amo. Eu quero você na minha vida pra sempre, então por favor, por favor me peça novamente. Eu não sei por que você me ama, mas eu sei que me ama e quando você não está aqui as cores se desbotam, os dias se tornam sem graça. Eu preciso do seu sorriso pra iluminar minha vida, preciso do seu abraço para me sentir segura, e eu preciso de você para conseguir mandar embora todos os meus fantasmas. Eu nunca liguei pra nada, nunca acreditei em nada e ninguém nunca se importou o suficiente para me mostrar que eu estava errada. Mas aí você apareceu e bagunçou tudo, você acreditou em mim, você se importou e fez com que eu me importasse também. Então por favor me diz que não é tarde demais e que você ainda quer se casar comigo. Por favor diz que você ainda me ama, porque eu te amo mais que tudo.
Desligou o telefone. As mãos geladas tremendo e o coração batendo na garganta, lágrimas escorriam por toda sua face e não sabia porque exatamente elas estavam ali. Também não sabia como definir toda a confusão de sentimentos e incertezas que se espalhavam em sua mente, logo ela que sempre tivera tanta certeza de tudo. Agora sua única certeza era o quanto queria que aquele homem ouvisse seu recado e retornasse a ligação.
Ouviu um leve bater na porta. 7:15 AM. Quem seria a essa hora? Desviava o olhar entre a porta e o telefone, sem saber o que fazer. Ele poderia ligar a qualquer momento, ela pensava. Esperança. Esperança é o primeiro passo para se atirar ao fundo do poço, mas ela não se importava, pois tinha esperança que aquele telefone iria tocar e aí tudo ficaria bem. Porque quando temos esperanã nunca pensamos nas possibilidades de elas não se concretizarem. As batidas na porta se tornaram mais duras, um tanto impaciente. Levantou-se devagar e tentou dar um jeito no cabelo enquanto caminhava para abrir a porta, não se deu ao trabalho de perguntar quem batia, apenas abriu.
– Meu passaporte. – Ficou em choque por alguns segundos. Será que estava tendo algum tipo de alucinação? Aquele homem parado na sua frente, perfeitamente vestido e com uma expressão rígida e um tanto azeda na face, a qual por sinal ela nunca havia visto, deveria estar em Roma a essa hora e não ali na sua porta. Voltou a si quando o ouviu falar novamente, parecia um tanto quanto impaciente, parecia não querer estar ali. Isso a deixou um pouco triste. – Eu esqueci o meu passaporte aqui. Preciso dele para poder viajar. Dá pra ser?
Será que ele não havia escutado o recado? Será que não queria mais nada com ela? Sentiu-se mais confusa e envergonhada do que nunca, sentia-se totalmente despida, não havia restado-lhe nenhuma fagulha de orgulho ou qualquer outro sentimento parecido. Deu um passo atrás, dando espaço para que ele entrasse e pegasse o maldito passaporte.
– Você está esquecendo outra coisa também. – afirmou enquanto o via entrar na sala, sua voz soava um pouco insegura. Não sabia exatamente qual seria sua próxima reação, nem a dele. Ela sentia falta da segurança que sempre possuira, mas aquele homem tinha o dom de sempre deixa-la sem saber o que fazer.
– Esqueci? - Pela sua expressão parecia estar pensando no que havia esquecido. - E o que foi?
– Eu. - A resposta foi simples, mas vinha carregada de muitas dúvidas, medos, expectativas, esperanças… Sentimentos os quais ela nunca cultivara e agora não sabia exatamente como lidar.
Ele não respondeu na hora, apenas pegou o celular no bolso. – Ontem você me disse que não acreditava no amor. E agora?
– Eu nunca havia sentido o vazio que a falta dele provoca. Eu te amo. Você ouviu o recado? Você não pode ir embora e simplesmente me deixar aqui. – as palavras saiam rápido demais, uma atropelando a outra. Ele olhou para o celular por um instante e se voltou para ela.
– Eu te pedi em casamento e você disse ‘não’. Será que você se lembra? - Ele parecia machucado e ela se sentia um monstro por saber que parte daquilo era sua culpa. Não sabia ao certo como responder a pergunta dele. Diria que se lembrava? Que tinha medo? Que simplesmente tinha mudado de ideia?
–Eu tive medo. Relações me assustam, eu nunca dependi de ninguém e me vi ali completamente em suas mãos. Me senti acuada, assustada. E aí você foi embora e eu percebi que talvez eu não soubesse lidar com relacionamentos mas que por você, por nós, eu poderia tentar, porque a única coisa que realmente nunca consegueria lidar seria com a sua falta. Eu nunca senti tando medo na minha vida quanto quando eu imaginei que nunca mais poderia ter você, quando imaginei que talvez você não me amasse mais, quando me dei conta de que eu havia expulsado da minha vida a única pessoa que eu realmente queria que fizesse parte dela. Eu te amo. Como te amo. E eu preciso de você. Tudo o que eu falei naquela mensagem é verdade, eu só não tinha me dado conta ainda, então eu espero que você me perdoe por ter agido daquela forma ontem e… - Lágrimas escorriam de seus olhos enquanto falava, nunca havia sido tão verdadeira com ninguém em toda a sua vida. Antes que terminasse de falar ele puxou-a para próximo de si e beijou-lhe a boca como jamais beijara. Ela o amava e ele sentia-se o homem mais feliz e completo de todo o mundo. Afastando-a um pouco de si, puxou algo de dentro de sua pasta, ela demorou um pouco para identificar do que se tratava. Um passaporte. Era um passaporte. Mas se..? Olhou para ele confusa, e dando um sorriso torto ele respondeu:
– Eu não poderia partir sem tentar mais uma vez. Você não achou que eu realmente aceitaria aquele “não” e pronto, não é? – deu uma risada como uma criança que fez travessura e voltou a falar – Eu tinha que ter certeza de que você estava certa sobre não me querer mais em sua vida, por isso pensei na desculpa de ter esquecido o passaporte aqui. No caminho pra cá o telefone tocou e eu não tive coragem de atende-lo. Não sabia o que você falaria e eu precisava vê-la, pelo menos mais uma única vez, e nessa hora sua voz começou a ecoar pela caixa postal.
– Mas se você já tinha ouvido o recado porque então continuou com a desculpa do passaporte?
– Não sei - deu uma pequena risada - Acho que não queria chegar aqui na sua porta como um pateta dizendo que tinha ouvido a mensagem, não sabia como agir. E também queria ver sua reação, queria ter a chance de te ver dizer que me ama e que me quer aqui - ela fingiu dar um tapa no peito dele e ambos riram, ele novamente a puxou para seus braços, e com o peito encostado no peitoral dele, ela disse:
–De agora em diante todos os dias você me ouvirá dizer que te amo e que te quero na minha vida. Quer dizer.. - deu uma pequena pausa antes de terminar de falar e levantou o rosto para conseguir encara-lo - Se você ainda me quiser na sua. - ela deu um leve sorriso, talvez um pouco inseguro. Ele sem emitir nenhuma palavra apenas deu um leve beijo em seus lábios e tirou algo do bolso. Um anel. Mostrou-o para ela, e ela, sem pensar duas vezes levantou a mão direita para que ele o colacasse em seu dedo. Só então ele a respondeu. - Você é a minha vida. Eu te amo minha pequena. - estalou outro beijo em seus lábios, e ficaram ali abraçados, imaginando que ainda teriam uma vida toda pela frente, juntos.
Fim.
Ou apenas um novo começo